Como Declarar Imposto de Renda Morando Fora do Brasil: Guia Completo
- Renan
- 23 de mar.
- 11 min de leitura

Você está curtindo sua vida no exterior, conhecendo novas culturas, fazendo amigos de diferentes países, talvez até aprendendo um novo idioma... quando de repente, aquela mensagem da família no Brasil: "E aí, já fez sua declaração de imposto de renda?".
Meu coração já acelerou só de escrever isso! Se você é como eu quando me mudei para Portugal, deve sentir aquele frio na barriga ao pensar em lidar com a Receita Federal estando longe do Brasil. Mas respira fundo! Vou te mostrar que declarar seu imposto de renda morando fora do Brasil pode ser mais simples do que parece.
Neste guia, vamos conversar como dois amigos tomando um café. Vou explicar tudo que você precisa saber, sem complicações, sem palavras difíceis, e com exemplos que fazem sentido na sua vida real. Pronto para começar? Vamos lá!
Por que declarar imposto de renda morando fora do Brasil?
Como declarar imposto de renda morando fora do Brasil é uma dúvida que atormenta muitos brasileiros expatriados. Mas antes de entrar nos detalhes, vamos entender por que você precisa se preocupar com isso.
Pense no Brasil como aquela tia que sempre quer saber da sua vida, mesmo depois que você se mudou. Enquanto você mantiver vínculos com o país (como contas bancárias, imóveis ou investimentos), ou não comunicar oficialmente sua saída, a Receita Federal vai continuar te considerando um "morador fiscal" do Brasil.
Isso significa que você continua com obrigações fiscais, mesmo vivendo e trabalhando em outro país. É como se você ainda tivesse um pé no Brasil, e o Leão (apelido carinhoso da Receita Federal) quer saber o que está acontecendo com seu dinheiro.
Quem precisa declarar?
Você precisa declarar imposto de renda no Brasil, mesmo morando fora, se:
Recebeu mais de R$ 28.559,70 em rendimentos tributáveis no ano (esse valor muda anualmente, então sempre verifique o valor atual)
Possui bens e direitos no Brasil que somam mais de R$ 300.000,00
Vendeu bens ou direitos sujeitos a ganho de capital
Realizou operações na bolsa de valores
Recebeu rendimentos isentos acima de R$ 40.000,00
Não comunicou sua saída definitiva do país à Receita Federal
Maria, uma professora brasileira que se mudou para a Espanha, conta: "No primeiro ano, achei que não precisava declarar porque já pagava impostos na Espanha. Quase tive um susto quando descobri que meu CPF estava irregular! Agora faço questão de estar em dia com o Leão, mesmo morando longe."
O que acontece se eu não declarar?
Ignorar suas obrigações fiscais pode trazer várias dores de cabeça:
Multas por atraso na entrega da declaração (geralmente a partir de R$ 165,74)
CPF irregular, o que dificulta abrir contas, receber heranças ou fazer transações no Brasil
Problemas para renovar passaporte ou outros documentos brasileiros
Complicações ao visitar o Brasil ou se decidir voltar a morar no país
Em casos extremos, processos por sonegação fiscal
João, engenheiro que trabalha na Alemanha, aprendeu da pior forma: "Fiquei três anos sem declarar, pensando que ninguém ia notar. Quando voltei para o casamento da minha irmã, não consegui abrir uma conta para ajudar com as despesas da festa. Meu CPF estava todo bloqueado e tive que correr para regularizar."
Comunicação de Saída Definitiva: O primeiro passo
Se você planeja morar fora do Brasil por tempo indeterminado, o primeiro passo é fazer a Comunicação de Saída Definitiva. Este é um documento que avisa à Receita Federal que você não é mais residente fiscal no Brasil.
O que é a Comunicação de Saída Definitiva?
É como se fosse uma carta formal dizendo: "Olá, Receita Federal! Estou me mudando para outro país e não serei mais residente fiscal no Brasil." Depois de fazer essa comunicação, sua situação fiscal muda, e você só precisará declarar rendimentos que venham de fontes brasileiras.
Como fazer a Comunicação de Saída Definitiva?
Para fazer a Comunicação de Saída Definitiva, você precisa:
Baixar o programa da Declaração de Saída Definitiva no site da Receita Federal
Preencher o formulário com seus dados pessoais e data de saída do país
Informar seus rendimentos e bens até a data da sua saída
Enviar a declaração e guardar o recibo
Importante: Você tem até o último dia de fevereiro do ano seguinte à sua saída para fazer essa comunicação. Por exemplo, se você saiu do Brasil em julho de 2024, tem até fevereiro de 2025 para comunicar.
Ana, que se mudou para o Canadá, conta sua experiência: "Fiz minha Comunicação de Saída Definitiva antes de viajar. Foi mais fácil do que eu imaginava e me deu tranquilidade para começar minha nova vida sabendo que estava tudo certo com o Brasil."
O que muda depois da Comunicação de Saída Definitiva?
Depois de fazer a Comunicação de Saída Definitiva:
Você não precisará mais entregar a declaração anual de imposto de renda (a menos que tenha rendimentos de fontes brasileiras)
Seus rendimentos obtidos no exterior não serão tributados pelo Brasil
Rendimentos de fontes brasileiras (como aluguel de imóveis) serão tributados na fonte, geralmente a uma alíquota de 25%
Pedro, que mora em Portugal há 5 anos, explica: "Depois que fiz a saída definitiva, minha vida ficou mais simples. O único imposto que pago no Brasil é sobre o aluguel do meu apartamento em São Paulo, e é descontado automaticamente antes de eu receber o valor."
Documentos necessários para declarar o imposto de renda
Se você não fez a Comunicação de Saída Definitiva ou ainda tem obrigações fiscais no Brasil, vai precisar reunir alguns documentos para fazer sua declaração. É como preparar os ingredientes antes de começar a cozinhar:
Documentos básicos:
Seu CPF e título de eleitor
Informes de rendimentos de trabalho, aposentadoria ou pensão
Informes de rendimentos bancários e de investimentos
Comprovantes de despesas dedutíveis (saúde, educação, etc.)
Documentos dos seus dependentes (se houver)
Comprovantes de compra e venda de bens (imóveis, veículos, etc.)
Comprovantes de pagamento de impostos no exterior (para evitar bitributação)
Organizando seus documentos:
Lucia, contadora que atende brasileiros em Miami, dá uma dica valiosa: "Crie uma pasta digital para cada ano fiscal. Sempre que receber um documento importante, como um informe de rendimentos ou comprovante de despesa médica, salve nessa pasta. Na hora de declarar, você terá tudo organizado e não vai esquecer nada."
Como preencher a declaração passo a passo
Agora vamos à parte prática: como preencher sua declaração de imposto de renda morando fora do Brasil. Vou explicar de um jeito simples, como se estivéssemos sentados lado a lado olhando para o computador.
Passo 1: Baixe o programa da Receita Federal
Primeiro, você precisa baixar o programa oficial da Receita Federal para o ano em questão. Esse programa muda todos os anos, então certifique-se de baixar a versão correta no site oficial da Receita Federal.
Passo 2: Preencha seus dados pessoais
Ao abrir o programa, comece preenchendo seus dados básicos: nome, CPF, data de nascimento, título de eleitor e endereço. Se você já fez a Comunicação de Saída Definitiva, marque a opção "Não residente no Brasil".
Se você não fez a Comunicação de Saída Definitiva, use seu endereço no exterior, mas não marque a opção de "Não residente".
Passo 3: Declare seus rendimentos
Esta é a parte onde você informa todo o dinheiro que recebeu durante o ano:
Rendimentos no Brasil:
Salários, aposentadorias, aluguéis e outros rendimentos recebidos no Brasil vão na ficha "Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ" ou "Rendimentos Tributáveis Recebidos de PF/Exterior"
Rendimentos de investimentos, como juros de poupança, vão na ficha "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis" ou "Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva"
Rendimentos no exterior:
Se você não fez a Comunicação de Saída Definitiva, precisa declarar também os rendimentos recebidos no exterior
Converta os valores para reais usando a cotação do último dia útil de cada mês em que recebeu o rendimento
Declare na ficha "Rendimentos Tributáveis Recebidos de PF/Exterior"
Carlos, que trabalha como programador na Irlanda, compartilha: "No começo eu ficava confuso com a conversão de euros para reais. Agora mantenho uma planilha simples onde anoto a cotação do último dia de cada mês. Facilita muito na hora de declarar."
Passo 4: Informe suas despesas dedutíveis
Algumas despesas podem reduzir seu imposto a pagar, como:
Despesas médicas (suas e de dependentes)
Despesas com educação
Pensão alimentícia
Contribuições para a previdência
Doações para projetos sociais
Importante: Para despesas realizadas no exterior, converta os valores para reais usando a cotação do dia do pagamento.
Passo 5: Declare seus bens e direitos
Nesta seção, você informa tudo o que possui, tanto no Brasil quanto no exterior:
Bens no Brasil:
Imóveis, veículos, contas bancárias, investimentos, etc.
Use o valor de aquisição (quanto você pagou), não o valor atual
Bens no exterior:
Imóveis, veículos, contas bancárias, investimentos no exterior
Converta o valor para reais usando a cotação da data de aquisição
No campo "Discriminação", informe detalhes como endereço do imóvel, número da conta bancária, nome do banco, etc.
Fernanda, que comprou um apartamento em Lisboa, conta: "Quando declarei meu apartamento em Portugal, usei o valor que paguei convertido para reais na cotação do dia da compra. Nos anos seguintes, repeti o mesmo valor, sem atualização."
Passo 6: Verifique e envie sua declaração
Antes de enviar, o programa faz uma verificação automática para identificar erros ou informações faltantes. Corrija o que for necessário e depois clique em "Entregar Declaração".
Guarde o recibo de entrega. Ele é sua prova de que você cumpriu sua obrigação fiscal.
Entendendo a bitributação e acordos internacionais
Um dos maiores medos de quem mora fora é pagar imposto duas vezes sobre a mesma renda: uma no país onde vive e outra no Brasil. Isso se chama bitributação.
O que é bitributação?
Bitributação acontece quando você paga imposto sobre a mesma renda em dois países diferentes. Por exemplo, se você trabalha na Alemanha, paga imposto lá sobre seu salário. Se não tomar cuidado, pode acabar pagando imposto novamente no Brasil sobre esse mesmo dinheiro.
Como evitar a bitributação?
Boa notícia: existem formas de evitar esse problema!
Acordos para Evitar a Dupla Tributação: O Brasil tem acordos com vários países para evitar que você pague imposto duas vezes sobre a mesma renda. Alguns desses países são:
Argentina, África do Sul, Áustria
China, Canadá, Chile, Coreia do Sul
Equador, Espanha
França, Finlândia
Índia, Israel, Itália
Japão
México
Noruega
Países Baixos, Peru, Portugal
Reino Unido, República Tcheca
Suécia, Suíça
Turquia
Ucrânia
Venezuela
Se você mora em um desses países, pode usar o acordo para reduzir ou eliminar a tributação em um dos países.
Como funciona na prática: Julia trabalha como médica na França e paga imposto lá sobre seu salário. Como o Brasil tem acordo com a França, ela pode usar o imposto pago na França como crédito na sua declaração brasileira, reduzindo ou até zerando o valor devido ao Brasil.
Para usar esse benefício:
Na sua declaração, informe o imposto pago no exterior
Preencha a ficha "Imposto Pago no Exterior"
Guarde os comprovantes de pagamento do imposto no outro país
Roberto, contador especializado em impostos internacionais, explica: "Muitos brasileiros no exterior não sabem que podem usar esses acordos e acabam pagando imposto duas vezes. É importante verificar se o país onde você mora tem acordo com o Brasil e como usá-lo a seu favor."
Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE)
Além da declaração de imposto de renda, existe outra obrigação importante para quem tem bens no exterior: a Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE).
O que é a CBE?
A CBE é uma declaração feita ao Banco Central do Brasil (não à Receita Federal) onde você informa os bens e valores que possui fora do Brasil.
Quem precisa fazer a CBE?
Você precisa fazer a CBE se tiver bens no exterior que somem US$ 1 milhão ou mais. Se o valor for menor, mas igual ou superior a US$ 100 mil, você precisa fazer a declaração anual (não a trimestral).
Como fazer a CBE?
A CBE é feita pelo site do Banco Central do Brasil, geralmente entre fevereiro e abril de cada ano (para a declaração anual).
Marcos, empresário que vive em Miami, compartilha: "Muita gente esquece da CBE porque foca só no imposto de renda. Mas é uma obrigação separada e importante. Eu quase tive problemas por não saber disso nos meus primeiros anos morando fora."
Situações especiais e dúvidas comuns
Como declarar contas bancárias no exterior?
Para declarar suas contas bancárias no exterior:
Na ficha "Bens e Direitos", selecione o grupo "Depósitos em conta bancária no exterior"
Informe o saldo em 31 de dezembro, convertido para reais (usando a cotação dessa data)
No campo de discriminação, inclua o nome do banco, número da conta, país e outras informações relevantes
Como declarar imóveis no exterior?
Para declarar imóveis que você possui fora do Brasil:
Na ficha "Bens e Direitos", selecione o grupo adequado (por exemplo, "Casa", "Apartamento")
Informe o valor de aquisição convertido para reais (usando a cotação da data da compra)
No campo de discriminação, inclua o endereço completo, data de aquisição e forma de pagamento
Preciso declarar meu carro comprado no exterior?
Sim, todos os bens adquiridos no exterior devem ser declarados, incluindo veículos. Declare na ficha "Bens e Direitos", no grupo "Veículos automotores", informando o valor pago convertido para reais pela cotação da data da compra.
Como declarar o aluguel que recebo de um imóvel no Brasil?
Se você aluga um imóvel que possui no Brasil, esse rendimento deve ser declarado mesmo que você more no exterior. O valor é tributado na fonte se você fez a saída definitiva (geralmente a 15%). Se não fez a saída definitiva, declare normalmente na ficha "Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física e do Exterior".
Tenho cidadania de outro país. Isso muda alguma coisa na minha declaração?
Não. Para fins fiscais brasileiros, o que importa é sua condição de residente ou não-residente fiscal, não sua nacionalidade. Ter outra cidadania não altera suas obrigações com o fisco brasileiro.
Posso ser isento de declarar se moro há muitos anos fora do Brasil?
O tempo que você mora fora não é o fator determinante. O que importa é se você fez ou não a Comunicação de Saída Definitiva. Se fez, está dispensado das declarações anuais (exceto se tiver rendimentos de fontes brasileiras). Se não fez, continua com a obrigação de declarar, não importa há quanto tempo vive no exterior.
Dicas práticas para organização e tranquilidade
Declarar imposto de renda morando fora do Brasil pode parecer complicado, mas com organização e planejamento, você pode fazer isso sem estresse. Aqui vão algumas dicas práticas:
Mantenha seus documentos organizados
Crie um sistema de organização para seus documentos fiscais:
Use pastas digitais separadas por ano
Salve extratos bancários, informes de rendimentos e comprovantes de despesas
Mantenha uma planilha com a cotação do real nos últimos dias de cada mês
Guarde comprovantes de pagamento de impostos no exterior
Acompanhe as mudanças nas regras fiscais
As regras fiscais mudam com frequência. Para se manter atualizado:
Acompanhe o site da Receita Federal
Participe de grupos de brasileiros no exterior nas redes sociais
Considere assinar uma newsletter especializada em finanças para expatriados
Busque ajuda profissional quando necessário
Se sua situação for complexa (por exemplo, se você tem investimentos em vários países ou rendimentos de diferentes fontes), considere contratar um contador especializado em questões internacionais.
Camila, que vive na Austrália e tem investimentos em três países, conta: "Tentei fazer minha declaração sozinha nos primeiros anos, mas era muito complicado. Agora pago um contador que entende de impostos internacionais e durmo muito mais tranquila."
Planeje com antecedência
Não deixe para a última hora! Comece a reunir seus documentos com pelo menos um mês de antecedência. Isso te dá tempo para resolver qualquer problema que surgir ou buscar documentos faltantes.
Conclusão: Como declarar o Imposto de Renda morando fora do Brasil
Declarar imposto de renda morando fora do Brasil pode parecer um bicho de sete cabeças no início, mas como vimos, com as informações certas e um pouco de organização, é possível fazer isso sem grandes dores de cabeça.
O mais importante é entender sua situação específica: se você fez ou não a saída definitiva, quais rendimentos precisa declarar, e quais acordos internacionais podem te beneficiar. Cada caso é único, e as regras podem mudar dependendo do país onde você vive.
Manter-se em dia com suas obrigações fiscais traz tranquilidade para aproveitar sua vida no exterior sem preocupações. Afinal, ninguém quer ter problemas com o Leão quando vier visitar a família no Brasil ou quando decidir retornar definitivamente ao país.
Como brasileiros no exterior, carregamos um pouco do Brasil conosco onde quer que estejamos. E isso inclui algumas obrigações com nosso país de origem. Mas com as informações certas, podemos transformar o que parecia um bicho de sete cabeças em uma simples tarefa anual.
Pontos principais a recordar:
Avalie se você precisa fazer a Comunicação de Saída Definitiva
Entenda sua condição fiscal: residente ou não-residente
Declare todos os seus rendimentos e bens conforme sua situação
Utilize acordos para evitar a dupla tributação quando disponíveis
Mantenha seus documentos organizados e acessíveis
Considere consultar um contador especializado em questões internacionais
Fique atento aos prazos de entrega das declarações
Converta valores estrangeiros para reais usando as cotações corretas
Verifique se você também precisa fazer a Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior
Com essas dicas e informações, você está pronto para enfrentar o Leão, mesmo estando longe do Brasil. E pode continuar aproveitando sua aventura internacional com a tranquilidade de quem está com a vida fiscal em ordem!
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